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Evitar alivia, mas mantém: por que fugir do que dá medo alimenta a ansiedade

Cancelar o compromisso, adiar a conversa difícil, não ir àquele evento. Evitar o que dá medo traz um alívio quase imediato. Só que, com o tempo, esse mesmo alívio ensina ao cérebro que a situação era perigosa, e a ansiedade volta mais forte na próxima vez.

Evitar é uma reação humana e, em muitos momentos, útil: ninguém precisa se expor a todo desconforto. A questão é quando a evitação vira o jeito principal de lidar com a ansiedade. Aos poucos, a vida vai ficando menor: menos lugares, menos conversas, menos oportunidades.

Como funciona o ciclo da evitação

O ciclo costuma seguir uma sequência parecida:

  1. Uma situação desperta ansiedade: falar em público, ir a uma consulta, mandar uma mensagem, sair sozinho.
  2. A mente antecipa o pior: “vai dar errado”, “vou passar vergonha”, “não vou dar conta”.
  3. A pessoa evita e sente alívio na hora.
  4. O alívio reforça a evitação. O cérebro registra que fugir funcionou e que a situação era mesmo uma ameaça.
  5. Na próxima vez, a ansiedade aparece mais cedo e mais forte, e evitar parece ainda mais necessário.

Pesquisas em psicologia descrevem a evitação como um dos principais fatores que mantêm os transtornos de ansiedade, justamente porque impede a pessoa de viver experiências que mostrariam que ela consegue lidar com a situação (Hofmann e Hay, 2018).

Nem toda evitação é óbvia

Às vezes a evitação é clara, como não ir a um lugar. Mas ela também aparece de formas mais discretas, que a pessoa nem percebe como fuga:

  • ir ao evento, mas ficar no celular para não conversar com ninguém;
  • só sair acompanhado;
  • revisar uma mensagem dezenas de vezes antes de enviar;
  • concordar com tudo para evitar conflito;
  • adiar decisões até o último momento.

Essas estratégias também trazem alívio rápido e, pelo mesmo motivo, também podem manter o ciclo.

O que a terapia faz de diferente

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, o trabalho com a evitação começa por entender o ciclo de cada pessoa: quais situações despertam ansiedade, o que ela pensa sobre elas e quais estratégias usa para se aliviar.

A partir daí, quando é indicado, entra a exposição gradual. A ideia não é “enfrentar tudo de uma vez”, mas se aproximar aos poucos do que é evitado, começando pelo que gera menos desconforto e avançando no ritmo da pessoa. A cada passo, ela tem a chance de perceber que consegue lidar com a situação e que a ansiedade, mesmo desconfortável, diminui com o tempo.

Esse processo é sempre combinado em conjunto, com objetivos claros e revistos ao longo do acompanhamento. Ninguém é empurrado para situações para as quais ainda não está preparado.

Um passo possível hoje

Se você se reconheceu aqui, um exercício simples é observar, durante uma semana, quais situações você tem evitado e o que sente logo depois de evitar. Só observar, sem se cobrar. Esse olhar já ajuda a entender como o ciclo funciona na sua rotina.

Para continuar

Evitar não é fraqueza: é uma tentativa de se proteger. Mas, quando a proteção começa a limitar a sua vida, vale buscar outro caminho. A terapia para ansiedade pode ajudar você a se aproximar do que hoje parece difícil, com acolhimento e no seu tempo.

Quer dar o próximo passo sem se forçar?

Na terapia, a aproximação do que você evita é combinada em conjunto, começa pelo que é mais leve e respeita o seu tempo.

Ândrea Lemes
Psicóloga Clínica · CRP 06/217320
Atendimento online e presencial · São José dos Campos/SP
WhatsApp: (12) 98158-6342

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